Espírito esportivo e nova vitória da dupla San Marco Trek II marcam quarto dia da Brasil Ride

A máxima esportiva de que a sorte ajuda os grandes campeões nas horas decisivas prevaleceu na tarde desta quarta-feira (19) na Brasil Ride, a principal ultramaratona de MTB das Américas. Após os vice-líderes da Open, Daniel Geismayr (AUT) e Joachen Jab (ALE), liderarem a quarta etapa por cerca de 50 km, a 5 km do final Joachen teve sua roda traseira quebrada e viu a vitória escapar de suas mãos. Sorte de Fabian Rabensteiner (ITA) e Alexey Medvedev (RUS), vencedores do dia em 4h46min01, que agora estão 16min43 à frente de Daniel e Joachen. Atuais bicampeões da Brasil Ride, Jiri Novak (CZE) e Hans Becking (HOL) fizeram uma etapa boa e completaram o pódio em terceiro lugar.

A segunda etapa Rainha da competição contou com 85,3 km e 2.963 m de altimetria acumulada, muitas subidas íngremes e o espírito esportivo falando mais alto, quando o alemão Joachen Jab, da Centurion Vaude, quebrou sua roda em um mata-burro já nos quilômetros finais. O atleta Samuele Porro, companheiro na Trek San Marco dos líderes Fabian e Alexey, ofereceu sua roda para Joachen, mesmo que isso não fosse favorável à outra dupla de sua equipe. “Só tenho a agradecer ao Samuele. Foi uma atitude realmente bacana da parte dele. Não tenho mais palavras pra descrever”, enalteceu Joachen, que tinha ao lado de Daniel uma vantagem de mais de seis minutos para os rivais.

Para a dupla da Trek San Marco II, o resultado significou a folga na liderança, cuja vantagem subiu de 14 para 16 minutos. O cansaço foi o principal inimigo de Fabian e Alexey. “A dupla da Centurion Vaude foi muito forte. Me senti um pouco cansado e o Alexey me ajudou muito me empurrando nas horas importantes”, destacou Fabian. “O percurso era realmente muito difícil. Demais mesmo. Muitas subidas inclinadas e algumas partes complicadas em mata fechada. Pedalar três dias seguidos por mais de quatro horas e meia é muito cansativo”, avaliou Alexey.

Em comum aos líderes, o fato de não comemorarem o azar de seus rivais. “A dupla da Centurion foi muito forte nesta etapa. Tiveram azar, mas isso é o mountain bike. Quando acontece um problema nos metros finais não é tão ruim, mas a 5 km é realmente algo definitivo”, disse Alexey. “É uma pena o que aconteceu com nossos rivais. Foi uma atitude legal do Samuele Porro, que para nós, não é problema. Ele fez o correto”, finalizou Fabian.

Diferente de 2015, quando Daniel Geismayr teve um sério acidente com sua dupla na penúltima etapa e ficou de fora da competição, neste ano o austríaco segue vivo na briga pelo título ao lado de Joachen. “Tivemos que andar por alguns quilômetros até o Samuele nos ceder uma roda. Isso é Brasil Ride, tudo pode acontecer. Veremos como será nos próximos dias. Me sinto bem, apesar da falta de sorte hoje”, relatou Daniel. “Após o problema andamos bastante, até conseguirmos a roda emprestada. Esse é o nosso esporte e o espírito dele. Durante a prova o Samuele ajudou seus companheiros e no fim nos ajudou”, concluiu Joachen.

Para os atuais bicampeões da Brasil Ride, Jiri Novak e Hans Becking, a etapa serviu para mostrar o quão preparados eles estão para a competição, após terem problemas técnicos na terça-feira (18). “Foi uma dia difícil. Depois de ontem (terça), estávamos desapontados, porque sabemos que as pernas estão boas e estamos rápidos nos downhills. Pudemos comprovar isso com o lugar no pódio”, contou Hans. “O problema maior foi realmente motivação. Tive uma batalha psicológica comigo durante o dia de ontem (terça), quando quebrou o rolamento da minha roda traseira”, relatou Jiri.

Disputa reestabelecida – Após Isabella Lacerda e Letícia Cândido largarem na frente no prólogo e verem Ivonne Kraft (ALE) e Celina Caripnteiro (POR) abrirem 1h16min ao fim da terceira etapa, nesta quarta-feira a categoria Ladies teve uma reviravolta. Isabella e Letícia fizeram uma excelente prova. Com a vitória, dimiuiram para 19 minutos a diferença na luta pela camisa laranja. “Tivemos o mountain bike de verdade nesta etapa. Muitas trilhas, do começo ao fim. Valia muito o esforço em todas as subidas intensas, para depois descer nos downhills. Desci a do Cacau e em seguida já teve outra. Que prova foi essa. Não sou fã de estradões, mas sim dessas trilhas incríveis”, comemorou Isabella.

“Nos outros dias sofri, mas neste sinto que foi feito para mim o percurso. O Mario Roma leu meus pensamentos. Escapamos da Ivonne e da Celina logo no começo e na primeira trilha fomos embora. Vimos no prólogo que quando é trilha, elas não acompanham a gente. Encaixamos em grupos bons e elas só nos passariam se estivesse muito bem. Estou feliz mesmo. Foi um dia legal demais”, completou Isabella.

Estrutura elogiada – Montar na fazenda Conjunto Boa Vista, em Guaratinga, uma verdadeira cidade para os atletas não foi nada fácil. Dois restaurantes para 800 pessoas, barracas para todos, sete contêineres de banheiros e chuveiros, com poço artesanal perfurado em 112 metros de profundidade, além do suporte técnico Shimano, pronto-socorro e área de fisioterapia. Tudo isso transforma o acampamento Brasil Ride, a segunda sede ao lado de Arraial d’Ajuda, em Porto Seguro, em um local confortável para os participantes.

“Sensacional você estar hospedado ao lado dos melhores ciclistas do mundo. Eles são diferenciados e podemos ver toda a preparação. Estar junto deles nos jantares, dormir nas barracas ao lado. Ver os profissionais lavando suas bikes e como eles cuidam delas, é bem bacana”, contou Gabriel Fruet, atleta de Itu (SP). “Viver o dia a dia no mesmo acampamento é legal. Uma experiência única”, destacou Daniel Silvestrini, de São Paulo (SP). Ambos disputam a categoria Open.

Os profissionais Daniel Gesmayr e Joachen Jab, vice-líderes da Open, também elogiaram a ideia da organização. “Mesmo diferente do que tivemos no ano passado, estou achando bem legal estar acampado. Os ciclistas ficam muito próximos uns dos outros, inclusive os amadores dos profissionais. Acho bom, porque é uma aventura a mais do que ficar hospedado em um hotel”, contou Daniel. “Já corri várias provas com as duas opções, hotel ou acampamento, mas nunca fiquei nas tendas. Essa é a minha primeira experiência e é algo novo para nós. Desta forma todos tem as mesmas condições e a preparação é igual”, complementou Joachen.

Volta à praia – Na manhã desta quinta-feira (20), os atletas voltam à Arraial d’Ajuda percorrendo 134 km com altimetria de 2.027 metros, a etapa mais longa da sétima edição. Eles passarão por trechos de single track até chegarem nas estradas principais da região e voltarem para o litoral do Sul da Bahia. Mais uma vez, subidas íngremes e descidas técnicas serão o tempero da etapa.

Resultados da quarta etapa – 85 km em Guaratinga – 2.963 m de ascensão acumulada

Open:
1- Fabian Rabensteiner (ITA) / Alexey Medvedev (RUS) – 4h46min01
2- Daniel Geismayar (AUT) / Joachen Kab (ALE ) – 4h48min15
3- Jiri Novak (CHE) / Hans Becking (HOL) – 4h51min05
4- Hugo Prado (BRA) / Lukas Kaufmann (SUI) – 5h03min09
5- José Gabriel Marques (BRA) / Daniel Ribeiro Zoia – 5h06min06

Máster
1- Bart Brentjens (HOL) / Abrahão Azevedo (BRA) – 5h39min28
2- Pierre Bourkuenoud (SUI) / Serge Robadey (SUI) – 6h35min25
Ladies
1- Isabela Lacerda (BRA) / Letícia Candido (BRA) – 6h22min05
2- Celina Carpinteiro (POR) / Ivone Kraft (ALE) – 7h19min41
3- Janete Correia (BRA) / Joana Nobrega (BRA) – 7h47min40

Dupla Mista
1- Piero Pellegrini (ITA) / Annabela Stropparo (ITA) – 6h17min52
2- Valmor Hausmann (BRA) / Tania Pickler (BRA) – 6h50min21
3- Marcelo Moser (BRA) / Ana Luisa Panini (BRA) – 7h48min01

Grand Máster
1- Heleno Borges (BRA) / Paulo Vasconcelos (BRA) – 7h11min17

Nelore
1- Gerson Muhlbauer / Marcelo de Oliveira (BRA) – 8h44min47

Corporativa
1- Diego/Edson/Robson (BRA) – 6h33min02

Classificação geral acumulada – após 4 etapas

Open
1- Fabian Rabensteiner (ITA) / Alexey Medvedev (RUS) – 14h54min30
2- Daniel Geismayar (AUT) / Joachen Kab (ALE ) – a 16min43
3- Hugo Prado (BRA) / Lukas Kaufmann (SUI) – a 37min16

Máster
1- Bart Brentjens (HOL) / Abrahão Azevedo (BRA) – 17h03min28
2- Pierre Bourkuenoud (SUI) / Serge Robadey (SUI) – a 2h26min30

Ladies
1- Celina Carpinteiro (POR) / Ivone Kraft (ALE) – 21h07min28
2- Isabela Lacerda (BRA) / Letícia Candido (BRA) – a 18min53
3- Janete Correia (BRA) / Joana Nobrega (BRA) – a 4h00min09

Dupla Mista
1- Piero Pellegrini (ITA) / Annabela Stropparo (ITA) – 19h07min12
2- Valmor Hausmann (BRA) / Tania Pickler (BRA) – a 1h03min21
3- Marcelo Moser (BRA) / Ana Luisa Panini (BRA) – a 3h02min03

Grand Máster
1- Heleno Borges (BRA) / Paulo Vasconcelos (BRA) – 21h00min29
2- Hermes Santana (BRA) / Dorivaldo de Abreu (BRA) – a 1h20min26

Nelore
1- Gerson Muhlbauer / Marcelo de Oliveira (BRA) – 24h17min44

Corporativa
1- Diego/Edson/Robson (BRA) – 20h09min14
2- Maurício/Luiz/Ricardo (BRA) – a 9min45