Triatleta Juraci Moreira lança o “Nova CBTri”

“Chegou a hora de mudar!

O Triathlon brasileiro participou pela quinta vez consecutiva do maior evento desportivo do mundo: as Olimpíadas. Desde a edição de Sidney 2000, estreia como esporte olímpico, até a edição da Rio 2016, a modalidade teve atletas representando o país em ambos os sexos. Neste mesmo período, o número de praticantes ao longo do território nacional é crescente. Atualmente, estima-se que 20 mil atletas praticam a modalidade de forma amadora e profissional. A cada dia mais e mais pessoas querem ser triatletas.

Esses aspectos podem ser vistos como motivos de celebração. E, de fato, são. Por outro lado, uma análise um pouco mais detalhada e profunda nos permite concluir que o Triathlon brasileiro está correndo sérios riscos. Observando o histórico das participações brasileiras nas cinco últimas edições olímpicas podemos observar algo que deve ser motivo de preocupação.

Precisamos entender as regras para a participação nos Jogos. A ITU (International Triathlon Union) determina que cada país pode ter até três representantes por gênero, limitado as sete primeiras nações a levar os 3 atletas. Esses representantes são selecionados a partir de sua colocação no ranking olímpico.

Em Sydney 2000, estreia deste esporte como modalidade olímpica, o Brasil teve três representantes na prova feminina e o mesmo número na prova masculina, equipe máxima permitida em uma Olimpíada. Em Atenas 2004, a equipe feminina se repetiu e no masculino novamente três representantes. Nos Jogos de Pequim 2008, apenas uma atleta se classificou no feminino e no masculino tivemos dois representantes. Em Londres 2012, uma atleta no feminino e dois no masculino. Agora, no Rio 2016, o Brasil teve apenas um representante no masculino e uma representante no feminino.

Dois fatos devem ser ressaltados em cima do nosso histórico olímpico. Primeiramente, o melhor resultado obtido nos Jogos foi o de Sandra Soldan, há dezesseis anos, nas Olimpíadas de Sidney, com a 11ª posição. O mais preocupante é que o número de atletas brasileiros em Jogos Olímpicos está em queda. Em 16 anos, o número regrediu de seis, o máximo permitido, para dois participantes.

Dessa forma, fica claro que o Triathlon brasileiro está correndo sérios riscos. Se o número de participantes da modalidade evolui, não podemos atribuir os fatores recém descritos à baixa adesão ao esporte. Além disso, os investimentos na modalidade estão cada vez maiores.

Então, por qual motivo o cenário do Triathlon brasileiro está abaixo do desejado e do nosso potencial? Atribuo essa realidade a dois motivos centrais.

Primeiramente, as novas gerações que surgem ou quando surgem acabam tomando uma decisão precoce mas que podemos entender, migram para as provas de longa distância e provas promocionais com maiores atrativos financeiros, premiações e interesse dos patrocinadores.

Além disso, após as gerações de Sydney e Atenas, poucos trabalhos de base foram desenvolvidos no país. Sem incentivo, fomento, busca de talentos e, principalmente, desenvolvimento desses talentos, é praticamente impossível renovar as gerações que nos representarão em Olimpíadas.

Diante disso, defendo que é o momento de repensarmos os caminhos do Triathlon em solo nacional. Inspirado pelos precursores dessa modalidade no país, e por todos os demais – atletas, técnicos e líderes – que acreditam neste esporte, gostaria de convocar a todos para um movimento em prol do Triathlon nacional.

A ideia deste movimento não é só minha. Em conversas com atletas, técnicos, clubes, assessorias, empresários e dirigentes foi levantado que o momento de assumirmos uma posição de comando dentro da modalidade é agora. Não podemos ficar parados observando a modalidade decair ciclo após ciclo, sendo que temos muitas pessoas querendo trabalhar em prol da evolução.

Com base nas discussões iniciais, desenhamos um esboço de projeto com quatro pilares que consideramos essenciais para atingirmos o sucesso, são eles: fomento, detecção, desenvolvimento e a valorização. Este último se refere a atletas, treinadores, assessorias, federações e clubes.

Precisamos resgatar o glamour das provas de Triathlon nas suas distâncias convencionais e de precisamos ter mais competições em todos os níveis: municipal, estadual, nacional e internacional. Isso deve ser colocado como uma as prioridades, assim como as várias possibilidades de se introduzir um atleta ao Triathlon, como provas de duathlon, aquathlon, cross triathlon, festivais infantis, entre outros. Quem treina quer competir, mais quem compete quer qualidade no serviço que lhe é oferecido e, principalmente os atletas que buscam o alto rendimento, querem ser valorizados quando sobem ao tão disputado pódio.

Temos cases de sucesso para nos amparar, queremos juntar forças com os organizadores que popularizaram a modalidade no Brasil, como Ironman, Challenge, Troféu Brasil, Xterra, entre outros, todos surfando a mesma onda, pois Triathlon é Triathlon, independente das distâncias de cada prova.

Queremos ter as Assessorias Esportivas espalhadas por todo o Brasil como parceiras neste projeto de desenvolvimento, de fomento e de detecção. Sabemos quão importante é o trabalho das assessorias em transformar pessoas comuns em atletas.

Queremos valorizar os clubes e vemos neles um grande potencial para a formação de atletas.

Queremos a união de treinadores e pesquisadores. Sabemos como as duas experiências podem, juntas, desenvolver e aprimorar metodologias de treino, como a Espanha faz.

Queremos reproduzir modelos de sucesso em gestão. Temos a consciência de que o Brasil possui grandes modelos a serem seguidos.

Queremos ver todas as federações estaduais de Triathlon trabalhando juntas neste projeto que não tem um dono, um lado, este projeto é de todos que querem um esporte forte e em constante crescimento. Tive a oportunidade de conhecer a maioria dos presidentes de federações na última assembleia realizada pela Confederação, e posso afirmar que todos estão nessa função porque amam o esporte e querem realizar algo muito maior e tem total capacidade para tal. Contudo, em sua maioria, eles esbarram na falta de apoio para colocar em prática projetos e ações que poderiam ser desenvolvidos em parceria com a confederação. Os que estão conseguindo realizar algo maior, se valem, na maioria das vezes, de iniciativas próprias de cada dirigente, que consegue recursos locais com maior êxito.

Temos que trabalhar com a meta de ser novamente uma das sete primeiras nações do Triathlon mundial. Todos juntos: confederação, federação, atletas, treinadores, clubes, assessorias, pesquisadores e organizadores, todos em sintonia.

O que nos une é ver o Triathlon brasileiro brilhar em Olimpíadas. Queremos mais e novos ídolos, pois a jovem atleta sem um ídolo nunca se motivará a chegar até o alto rendimento.

nova-cbtri

E, nesse movimento que defende mudança e que, sobretudo, acredita no potencial do Triathlon, queremos ver explorado a noção de gestão participativa, aliada à transparência e ética, fundamentais nos dias de hoje.

Demos um nome a esse movimento, o chamamos de NOVA CBTRI. E fui o encarregado de liderar essa missão ao lado de alguns atletas e empresários que se propuseram a dar o início neste projeto, trabalhando por este esporte que tanto gostamos de praticar.

Obrigado Fernanda Keller, Reinaldo Colucci, Santiago Ascenço, Diogo Sclebin, Leandro Macedo, Ariane Montecelli, Igor Amorelli, Virgilio de Castilho, Armando Barcellos, Fábio Carvalho, Antonio Manssur, Marcus Fernandes, Guilherme Manochio, Ivan Albano, Thiago Vinhal, Bruno Matheus, Bia Neres, Paulo Miashiro, Sandra Soldan, Mariana Ohata, Carolina Furriela, Lucas Pretto, Henrique Siqueira, Manoel Messias, Flávio Queiroga, Flávia Fernandes, Fernanda Garcia, Bia Neres, Vanessa Gianini, Felipe Moletta, Fernando Toldi, Marcus Ornellas, Raphael Pazos, João Paulo Diniz, Carlos Galvão, Leonardo Melo, Ana Oliva, Núbio de Almeida, Marcos Paulo Reis, Cali Amaral, Rosana Merino, Eduardo Braz, por incentivarem e participarem desde já deste movimento, e vamos somar centenas de outros nomes a esta lista.

Mas nosso movimento só terá sucesso e valor se todos participarem da criação deste novo projeto. Queremos conhecer a realidade de cada estado brasileiro e moldar projetos para termos o Triathlon desenvolvido em todos eles. Queremos nos reunir com todos os presidentes de federações, assessorias, clubes, treinadores, atletas, para elaboramos em centenas de mãos um projeto de gestão para os futuros ciclos olímpicos, um recomeço diferente com uma visão moderna e sustentável.

Tenho certeza que a maioria estará ao lado de um trabalho que será sério e que tem por meta desenvolver o Triathlon de norte a sul, leste a oeste deste Brasil.

Agradeço e conto com todos porque juntos somos mais fortes e juntos podemos mais.”

Juraci Moreira